CARRAPATOS

 

Doenças causadas

A) Dermatoses, inflamação, prurido, edema e ulceração no local da picada;
B) Perda de sangue, condição séria com desenvolvimento de anemia nos animais fortemente infestados;
C) Otocaríase, infestação do canal auditivo pelos carrapatos, com possíveis infecções secundárias;
D) Toxemia e Paralisias, causadas pela inoculação de saliva tóxica nos vertebrados;
E) Infecções, incluindo babesioses, riquetsioses, borrelioses, bacterioses, viroses, entre outras.

Doenças transmitidas ao homem

A) Febre maculosa

Também conhecida como Febre das Montanhas Rochosas, ou Febre do carrapato. É causada pela Rickettsia rickettsii e pode ser encontrada nas três Américas, do Canadá até a América do Sul. O reservatório primário de Rickettsia rickettsii são pequenos roedores silvestres, sendo o homem um hospedeiro acidental.
O papel dos carrapatos na infecção é importantíssimo, pois eles atuam na natureza como vetores biológicos e principalmente como reservatórios, uma vez que a transmissão do patógeno pode ser perpetuada através de sua progênie (transmissão transovariana).
A porcentagem de carrapatos infectados na natureza é baixa. O homem contrai a infecção ao penetrar em áreas infestadas por carrapatos, ou por meio de cães, que os levam para os domicílios em áreas urbanas.
Nos Estados Unidos a doença é veiculada por ixodídeos do gênero Dermacentor. Na região neotropical, o principal vetor é o Amblyomma cajenense.
No Brasil, essa enfermidade, conhecida como "febre maculosa", foi registrada em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. A doença pode ser aguda, com o desenvolvimento de exantema e febre ou com sintomas brandos podendo ser confundida com um estado gripal (febre e dor de cabeça).
O diagnóstico é feito pela anamnese, história de picada de carrapatos e testes sorológicos.

B) Doença de Lyme

Causada pela Borrelia burgdorferi latu senso, é a mais importante doença transmitida por carrapatos nos Estados Unidos, sendo os principais vetores os carrapatos do gênero Ixodes. Ocorre em cães, gatos, eqüídeos, bovinos e em grande número de espécies de animais silvestres e aves.
No Brasil já existe constatação de caso de Doença de Lyme "like". Embora o isolamento do agente etiológico não tenha sido possível, casos clínicos com confirmação sorológica já foram identificados no Rio de Janeiro, São Paulo, Goiás e Manaus.
É uma doença de evolução complexa, podendo envolver alterações dermatológicas, neurológicas, cardíacas e articulares. Os sintomas podem ser divididos em três estágios:
1. Desenvolvimento de eritema ou pápula no local da picada pelo artrópode (70% pessoas infectadas)
2. Outros sintomas, que podem ou não ocorrer: febre, dor muscular, dor de cabeça;
3. Alterações neurológicas e cardíacas (semanas ou meses após a primeira fase) – meningite, neuropatias e miocardite.

Tipos de Carrapatos

A) Carrapato do Cavalo "Carrapato Estrela" - Amblyomma cajennense (Fabricius, 1787)
O hospedeiro preferido da fase adulta é o cavalo e o boi, podendo parasitar também outros animais domésticos e silvestres. Esta espécie comumente ataca o homem em enormes quantidades nas estações secas e frias, em qualquer fase de sua evolução.
No Brasil as formas adultas recebem ainda as denominações de "rodoleiro" em muitas regiões do país, "picaço", no sul de Minas Gerais e "carrapato rodolego", em Sergipe. As larvas ou as ninfas desses carrapatos são denominadas popularmente de "micuim", "carrapato pólvora", "carrapato-fogo", "carrapato meio-chumbo" e "carrapatinho".
Sobem em grande número nas gramíneas, em certas épocas do ano, atacando o homem, produzindo intenso prurido e uma lesão granulomatosa, especialmente ao redor da cintura e pernas, que pode levar vários meses para cicatrizar.
É o vetor da Babesiose eqüina no Brasil e da Febre Maculosa no homem, na América Central, Colômbia e Brasil, causada pelo Rickettsia rickettsi, uma zoonose que circula entre carrapatos e hospedeiros vertebrados.
O carrapato Amblyomma cajennense necessita de três hospedeiros de espécies iguais ou diferentes para completar seu ciclo de vida, que pode variar de um a três anos, dependendo das condições climáticas.
No Brasil, as infestações por larvas ou mucuins são observadas particularmente a partir dos meses de março-abril até meados de julho, quando se inicia o período ninfal. As larvas podem permanecer no ambiente até 6 meses sem se alimentar.
Após a fixação das larvas no hospedeiro, estas iniciam o repasto (linfa e/ou sangue e tecidos digeridos) durando esta fase de parasitismo aproximadamente cinco dias. Após este período, as larvas desprendem-se do hospedeiro, caem no chão e buscam abrigo no solo, para realizarem uma muda para o estágio ninfal, que ocorre em um período médio de 25 dias.
A ninfa ("vermelhinho") pode aguardar em jejum pelo hospedeiro por um período estimado de até um ano. Seu período máximo de atividade é observado durante os meses de julho a outubro, podendo também ocorrer durante o ano todo dependendo das condições ambientais do local onde está ocorrendo. Encontrando o segundo hospedeiro, a ninfa se fixa e inicia um período de alimentação de aproximadamente 5 a 7 dias quando, completamente ingurgitada, se solta do hospedeiro, cai no chão e realiza a segunda muda.
Após um período de aproximadamente 25 dias emergem um macho ou uma fêmea jovem que, em 7 dias, encontra-se apto a realizar seu terceiro estádio parasitário. Neste ambiente pode permanecer sem se alimentar por um período de até 24 meses aguardando o hospedeiro.
Quando isto acontece, machos e fêmeas fixam-se, fazem um repasto tissular e sanguíneo, acasalam-se e a fêmea fertilizada inicia um processo de ingurgitamento que finda num prazo aproximado de 10 dias. Após este período, a fêmea se solta da pele e cai no solo onde inicia uma nova geração.
Esta fase, observada durante os meses de outubro a março no sudeste brasileiro, completa o ciclo biológico da espécie e indica a ocorrência de uma geração anual da espécie.

B) Carrapato da Orelha dos Eqüinos - Anocentor nitens (Neumann, 1897)
Carrapato de um hospedeiro, primariamente parasita de cavalos, asnos e mulas, também registrado em bovinos, ovelhas, cabras, onças pintadas, cervídeos e cães.
O local preferido de infestação, é a orelha e divertículo nasal, podendo, em fortes infestações, ser encontrado, também, em qualquer parte do corpo.
Infestações na orelha com supurações predispõem o animal ao parasitismo por miíases.
A nitens é um dos principais vetores da Babesia caballi e agentes da babesiose eqüina.

C) Carrapato do Cão ou "Carrapato vermelho do cão" - Rhipicephalus sanguineus ( Latreille, 1806)
Espécie de grande importância veterinária. Esse é um carrapato típico de três hospedeiros (larvas, ninfas e adultos vivendo em hospedeiros separados), comumente encontrados parasitando o cão e outros mamíferos e aves.
Não foram encontradas evidências de que esta espécie possa parasitar o homem, limitando-se, o seu parasitismo, aos cães e aos gatos.
Os adultos preferem instalar-se na pele, entre o coxim plantar e as orelhas do cão. Seu ataque causa grande irritação e desconforto aos animais, com perdas de sangue. Os adultos têm uma forte tendência para escalar muros e cercas, freqüentemente abrigando-se em frestas e forros de canis, em grande número, debaixo de móveis e outro locais.
Eles desprendem-se dos cães, em qualquer fase de desenvolvimento, espalhando-se pelas habitações, encontrados às vezes em grandes números, sendo de difícil controle.
É o vetor da babesiose (Babesia canis) e erlichiose (Erlichia canis) canina.

D) Carrapato de Bovinos ou "Carrapato sul-americano do boi” - Boophilus microplus (Canestrini, 1887)
Espécie muito abundante, parasitando predominantemente os bovinos, podem infestar também búfalos, cervos, camelos, cavalos, ovelhas, burros, cabras, gatos, veados campeiros, capivaras, coelhos, preguiças, cães e porcos.
Apesar de ser encontrado com freqüência e em altas infestações em determinados locais, excepcionalmente ataca o homem.
O carrapato do bovino é um ectoparasita de enorme importância na pecuária nacional, em virtude das perdas econômicas que causa aos produtores.
É o transmissor da Tristeza Parasitária Bovina (TPB) causada pelos protozoários Babesia bigemina e B. bovis (babesiose) e Anaplasma marginale (anaplasmose).
Infestações pesadas podem acarretar a mor